Um dia nublado

Um dia nublado

O tempo fechou, e o aventureiro está perdido em meio a floresta.

Ele não pode se guiar pelo céu, pois um manto negro e úmido se estende sobre sua cabeça.

Caminha errante, cansado de tantos desafios, perdeu alguns e superou muitos outros, conquistou os mais altos cumes.

Mas mesmo com tantas vitórias o dia insiste em trazer uma tristeza das profundezas da terra, insiste em ser frio e feio.

Seu corpo gelado treme com as gotas de chuva que caem sobre ele.

Seu coração está frio, lento, fechado, opaco.

Ele caminha mesmo cansado, aprendeu que o dia mau passa, mesmo que seu coração insista em dizer que tudo acabou, que não há chance ou que o sorriso não voltará, ele ainda assim caminha.

Sua razão age sobre seu coração, ele se ira contra si mesmo e não se permite desistir.

Mesmo com boas notícias o dia mau continua o seu ritual macabro onde esmaga corações.

Ele está com fome, mas continua caminhando, se parar morrerá de frio.

 O aventureiro aprendeu desde muito pequeno que dor é apenas uma sensação.

A dor só te para se você permitir.
Uma grávida não desiste do filho no meio do parto, ela não pode colocar o filho de volta para esperar o momento oportuno. Não!!!
Nascemos em meio a dor, crescemos, vivemos e morremos em meio a dor.

Mas todo grande sonho é gerado em dor, toda grande conquista é alcançada em meio ao sofrimento ou dor.

Todo ser humano está grávido de seus sonhos, não os aborte, não desista, espere o tempo certo.

Em dias de chuva geralmente não escrevo, pois temo que a penumbra que assola meu coração nos dias maus afete outras pessoas.

Mas talvez demonstre um pouco de minha humanidade, talvez mostre que como todo mundo, tem dias que dá vontade de ficar parado como um ser inanimado.
Mas o tempo que vai não volta e não posso me dar ao luxo de perder segundos, pois são caros, uma cidade inteira não vale 1 segundo de vida.

No final do dia o manto se dissipou e a lua cheia apareceu e me iluminou, estou grávido, grávido de 9 meses, não posso desistir, não na etapa final.

Todo dia é o final, pois afinal, não sabemos se haverá amanhã.

Autor: Anderson Ribeiro Sousa

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