Um homem de negócios aos 12 segundos...


Um homem de negócios aos 12 segundos...

Nascido do acaso, não planejado, rodeado de incertezas de seu futuro, em 12 meses fez 1 ano, com 12 anos ele tinha um sonho, ele queria construir uma família, ter um ofício.
Começou pequeno trabalhou em vários locais ganhando de meio salário a dois reais!

Ele tinha um sonho, foi abençoado por Deus e aprendeu um ofício e com 2 vezes 12 anos de idade, casou-se com seus 24 a 25 anos, mas nas primeiras 12 semanas o início de um outro sonho o tomou, sua gana em querer realização o impeliu a lutar, começou a desferir golpes no ar, queria porque queria alcançar um dito sucesso.

Embriagado após 12 goles de um possível sucesso futuro, construiu uma plataforma para o lançar ao alto, aos céus, ao espaço.

Construiu uma nave e dizia para àqueles que deveriam ser tripulantes para esperarem mais um pouco, pois construiu uma nave de um único assento, para um único homem, o piloto. 

Sempre dizia que iria ao espaço e na volta daria tempo para tudo, e lá se foram 12 vezes 12 meses, se passaram 12 anos e o sucesso chegou mas ele continuava querendo mais, ele queria provar que tinha dado certo, ele queria provar que não era um ninguém, ele queria provar fazendo e tendo algo ao invés de ser, pois na verdade ele já era mas não enxergava.

Já em órbita, orbitando em volta de si, a plataforma que deixou no planeta Terra explodiu com todos os seus sonhos, todos os sonhos reais que foram realizados e que valiam à pena, todos os sonhos que ele realmente queria e amava, o que realmente valia à pena lutar e ter, o que não poderia se comprar com sucesso, com coisas.

O erro dele foi esquecer das pessoas, daqueles a quem mais amava. A estação espacial ao qual seus pensamentos orbitavam começou a se despedaçar. Precisou entrar em uma nave de fuga, sua esperança era chegar a tempo de não perder tudo o que tinha na Terra.

Ele já tinha tudo mas não deu valor, ele tinha o universo inteiro dentro de uma casa, mas não valorizou, não valorizou o ser!

Durante a queda sua reentrada na atmosfera danificou seus equipamentos de navegação, em queda livre se encontrava indo em direção a morte, indo em direção ao fim de sua vida, seus olhos pareciam cachoeiras, fazendo verter todos os sentimentos que a tempos aprisionara, pois não tinha tempo para sentir, não tinha tempo para viver.

Em 12 segundos antes de bater, no chão o paraquedas abriu, por uma ação milagrosa, provavelmente obra do arquiteto do universo, mas ainda assim o impacto foi forte, mas não ao ponto de matá-lo.

Enquanto toda a sua vida se desfazia a sua volta ele ficou em coma durante 2 vezes 12 meses até que acordou!

Em doze segundos chorou, em 12 horas lamentou, em 12 semanas se recuperou, em 12 meses, renasceu.

É como se sua vida tivesse chegado no ocaso, onde o sol se põe e nascesse no outro extremo do mundo.

Uma nova vida, uma nova visão, não vive mais em fragmentos de 12 horas ou dias, mas em enormes porções de 12 milissegundos, pois entendeu que a vida é uma só, ainda é um homem de negócios, mas aprendeu a viver, aprendeu a ser, precisou perder para aprender, recuperou algumas coisas pelo caminho, outras perdeu para sempre, por isso ele vive cada segundo, por isso ele olha para os céus e agradece ao arquiteto do universo pela segunda chance.

Tudo é novo agora, tudo pulsa, as pequenas partes dele, seus filhos, agora tem prioridade, a prioridade que deve ter todo pequeno pedaço que deixamos aqui na Terra, todo pequeno ser chamado filho e filha. Antes queria ter a chance de ter um outro filho para sentir que cumpriu a missão, mas o Arquiteto do Universo o ensinou a ser o pai que precisava ser, ele se realizou e se realiza com seus filhos, não sente mais que fracassou, deu tempo, a cada 12 segundos seu coração bate doze vezes por cada um de seus filhos!

A cada doze batidas seu coração sorri, sua iris olha para o horizonte atravessando a bruma futura e enxergando o melhor, sem deixar de viver os 12 milissegundos do AGORA!

Autor: Anderson Ribeiro Sousa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vale do Trovão

A represa!

Quando te Conheci