Guerreiro da terra

Guerreiro da terra


Quando fui ao chão, quando cheguei ao fundo do poço, quando rachei meu crânio ao bater no solo de um poço vazio, as feridas cobriram meu corpo, fraturas expostas por toda parte. 

Senti o chão úmido com meu sangue.

Foi ali embaixo, deitado ao decorrer de dias que um homem com furos nas mãos cicatrizou meus ferimentos.

Ele sussurrou algo em meus ouvidos: Levante-se e resplandece, levante-se e lute, levante-se e caminhe pelas portas que abrirei. Te levarei nos montes, te levarei nas alturas, te levarei além mar.

Levante-se guerreiro da terra!

Então acordei, olhei as cicatrizes, olhei minhas mãos calejadas, me endireitei e fiquei de pé.

Passei a mão no chão e em seguida fiz desenhos de guerra com a terra em meu rosto.

Ali eu renasci, ali eu recebi uma nova identidade, ali eu criei meus alicerces.

Escalei as paredes do poço, saí para o mundo, saí em batalha, as tempestades vem e eu continuo seguindo em frente, quando acordo pela manhã o demônio esbraveja e fala: "lá vem aquele que o carpinteiro ajudou".

O próprio demônio sabe que não ando sozinho, sabe que tem ALGUÉM QUE ME GUARDA.

Eu sou imparável!!

Autor: Anderson Ribeiro Sousa

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vale do Trovão

A represa!

Quando te Conheci