Desconhecimento

Desconhecimento


Andando pelas pradarias, sigo sentindo o vento e o sussurro do tempo, caminho há tanto tempo que já desconheço aquele sentimento de arrebatamento, aquele sentido que ao olhar direto nos olhos do outro corre um frio pela espinha, aquele sentimento que só de estar perto emudece os lábios que se atraem para se tocarem.

Em alguns momentos afugento o cupido com seu insano arco e flexa que insiste em tentar me acertar, outros momentos eu torço para que me acerte.

Fiquei tão hábil em não sentir, em me fechar que acho difícil tentar e me jogar.

Mas que saudade daquele sentimento que inunda o pensamento e estremece o coração, que saudade ter saudade de alguém, sentir o emergir do amor vindo das profundezas do coração.

Desconheço hoje o amar com a alma, desconheço hoje os caminhos para o meu próprio coração.

Alguns dizem que ele virá sem eu suspeitar, simplesmente irá me abordar, e aportar seu navio em minha vida me convidando para zarpar.

E o medo do mar?
E o medo de me afogar?
E o medo de não amar?
Ou até mesmo, medo de amar!

Andarei uma vez mais na prancha com uma espada apontada para mim, me arriscarei ser capturado e jogado em um calabouço outra vez?

Me pergunto: O amor prende?

Se for para ser preso não quero amar.

O amor me convida para navegar, mas hoje eu quero subir montanhas acima do nível do mar.

Para quê amar se eu posso voar?

Mas ao decolar procuro com olhos de águia um coração para que eu possa capturar, mas fico confuso, afinal de contas tenho medo de amar ou amo o medo de não tentar?

Um coração jovem e inexperiente se joga sem ser prudente, mas um coração experimentado e perspicaz exita em fazer tudo que lhe apraz.

Até o momento tenho saído incólume deste sentimento que insiste em passar em meus pensamentos, mas no fundo toda alma procura alguém que a complemente.

Almas completas não precisam de alguém, mas querem estar com alguém. Não existe uma dependência do outro, mas uma entrega de coração, um levantar de bandeiras onde saímos de nossas trincheiras e tiramos as nossas fardas de combatentes.

Levantamos bandeiras brancas em sinal de paz, fazemos um acordo audaz de amar a quem nos apraz.

Mas o amor ainda continua um desconhecido, algo mítico e mágico.

Eu não tenho controle do que sinto ou sentirei, apenas penso que tenho, somente a detentora do poder pode me mostrar o caminho, talvez como no "Feitiço de Áuqila" ela seja a Lady Hawk e eu o lobo, presos em um feitiço para impedir o amor, de dia ela é um falcão e à noite eu sou um lobo. 

Nossos olhos só se encontram no limiar da aurora, no momento que eu saio da forma de lobo para homem e ela da forma de mulher para falcão, olhares se cruzam e a alma se inunda, com braços estendidos tentamos tocar a ponta de nossos dedos, mas logo a luz do sol toca seu rosto e ela voa para longe!

Tantas conjecturações só reforçam meu total DESCONHECIMENTO.

Autor: Anderson Ribeiro Sousa.

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